#Cypherpunk: apresento-lhes uma outra opção.

09/12/2018

No último sábado, tive o prazer de me embriagar com alguns entusiastas conhecidos do mundo cripto. Conversamos sobre privacidade, liberdade política, econômica e sexual e estratégias de alcança-las e nos embriagamos. Entre as conversas, uma ponto recorrente me chamou atenção.

Em vários momentos, houve comentários sobre como estamos longe de alcançar determinadas liberdade, já que a morte do Estado é uma utopia. Não é incomum que a conversa "morra" neste momento. A partir da aparente impossibilidade da morte do Estado, existe uma estratégia que costuma ser acionadas: a implosão do Estado por dentro.

Um dos participantes da mesa, membro de uma importante associação brasileira de criptomoedas, disse que a estratégia deles era introduzir, pouco a pouco, a pauta cripto, criando um cenário político brasileiro favorável ao desenvolvimento de um ecossistema saudável. Um outro participante comentou que no início era contra a ideia de associação, mas que havia sido convencido da importância da iniciativa.

A estratégia é completamente válida e deve ter, na minha perspectiva, todo apoio. Porém, acredito que o movimento cypherpunks possibilita uma inversão paradigmática dessa discussão. E nos dê, ao menos, uma nova frente de batalha.

Chamarei essa inversão de viés cypherpunk. O movimento cyPHerpunk nasceu em São Francisco nos anos 90 com matemáticos, anarquistas e hackers interessados nas discussões sobre criptografia. Poucas pessoas sabem, mas existiram ao menos outras oito criptomoedas antes do Bitcoin: ECash (1982), E-Gold (1996), Beenz (1990), HashCash (1997), Flooz (1999), B-money (1998), Bitgold (1998) e RPOW (2004). No white paper de lançamento do Bitcoin, Satoshi cita Wei Dai, criador do B-money e Adam Back, criador do HashCash.

A ideia central desses cypherpunks é que a computação pode fornecer ferramentas para que indivíduos se comuniquem, interajam e troquem uns com os outros, de maneira totalmente anônima, exercendo suas liberdades e privacidades sem censura ou coerções.

O uso cotidiano dessas ferramentas tem capacidade de alterar completamente a natureza da regulamentação governamental, a capacidade de taxar e controlar as interações econômicas, a capacidade de censurar manifestações políticas e irá alterar os sistemas de confiança e de reputação.

O movimento cypherpunk é uma revolução social, política e econômica que, ao utilizar métodos de criptografia, sistemas de zero-knowledges e outros protocolos, torna o governo permanentemente desnecessário.

A ideia central das ações cypherpunks é que, diante da incapacidade de "derrotar" o Estado, deve-se torná-lo inoperante. Felizmente, nossos amigos cypherpunks já estão trabalhando no desenvolvimento e na livre circulação dessas ferramentas há pelo menos três décadas e já temos aparatos suficientes para garantir, via criptografia, que não percamos nossas liberdades.

Nos últimos meses, a Rússia tem feito uma campanha para controlar as redes sociais. O primeiro ministro russo, Dmitry Medvedev, assinou dia 6 de novembro, um decreto obrigando as operadoras de telefonia móveis e as empresas de aplicativos de mensagem a identificar seus usuários. A Rússia também já suspendeu 18 milhões de endereços IP e VPNs (Virtual Private Network).

Esse movimento está ocorrendo no mundo todo e a justificativa é sempre a mesma "garantir a segurança dos usuários", "aumentar a segurança nacional" e "impedir tráfico de drogas". Seja quais forem os argumentos, o outro lado é evidente. O controle das comunicações e a evolução das ferramentas de censura, dá ao governo capacidades de vigilância assombrosas. E o que fazer diante deste cenário?

Nos tornamos cypherpunks!

A única maneira de manter nossa privacidade nesta Era é utilizar criptografia. É claro que estaremos torcendo para que nossos amigos advogados consigam brechas via Estado, construindo um cenário político mais brando para os indivíduos exercerem suas liberdades. Mas estaremos desse lado, construindo ferramentas para caso o trabalho deles não seja tão bem sucedido.

E o que isso significa na prática? Desenvolver reflexões e ferramentas que garantam nossas liberdades. E o https://cypherpunks.com.br/ está fazendo exatamente isso!

Estamos traduzindo artigos históricos referentes ao movimento cypherpunks, criando tutoriais de ferramentas como o gpg, veracrypt, bitcoin wallet, dicas de segurança, fazendo eventos presenciais, criando uma lista de e-mails (assim como a lista original onde Satoshi publicou o seu whitepaper) e escrevendo código!

O projeto cypherpunksbr foi lançado dia 12 de outubro e atualmente já temos 34 textos traduzidos, 28 forks, 31 estrelas, 236 commits, 15 contribuintes e um grupo do Telegram chegando aos 650 membros. Além disso, temos um roadmap com inúmeras ações que estão sendo pensadas, um sistema de reputação que terá integração com nossas listas de e-mail, chaves PGP, acessos e descontos em nossa loja (que logo ficará pronta).

https://cypherpunks.com.br/roadmap/

O projeto é aberto a todos que quiserem participar. Isso significa que você pode contribuir de inúmeras formas. Convido vocês a fazer parte do nosso grupo no Telegram onde há discussões diárias sobre criptografia, criptomoedas, segurança, privacidade, ética, política [ https://t.me/criptologia ], a submeter revisões ou traduções no nosso GitHub [ https://github.com/cypherpunksbr/cypherpunks.com.br/ ], a ler os artigos contidos na nossa biblioteca [https://cypherpunks.com.br/biblioteca/], a contribuir [ https://cypherpunks.com.br/contribua/ ]com uma doação que será utilizada para financiar o projeto ou divulgar o projeto.

Resumidamente, as contribuções são:

  • Produzir traduções e tutoriais, escrever código e curadoria deles;
  • Doar Bitcoins (SegWit) para: Bc1qjgsxk4qatgtlzqs0w6pu2lv3mcr025e2tz95nxafgt8qak70jm0qm0fqa3
  • Comprar uma camiseta

[1] https://t.me/criptologia

[2] https://github.com/cypherpunksbr/cypherpunks.com.br/

[3] https://cypherpunks.com.br/contribua/