#Cypherpunk: Introdução - Como tornar o Big Brother Obsoleto.

25/08/2018

A série #Cypherpunk vai reunir reflexões sobre os manifestos, tutoriais, dicas e leituras sobre o movimento cypherpunk, como uma forma de ajudar as pessoas garantirem sua privacidade e liberdade na rede (e melhorar a minha). O primeiro artigo é uma breve introdução do movimento cypherpunk, a preocupação de seus integrantes e suas soluções.

Vigilância em Massa

Big Brother é um popular Reality Show criado em 1999, em que pessoas ficam confinadas sem contato com o mundo exterior e durante esse período, são gravadas 24 horas por dias. Ao escolherem participar do programa, os participantes abdicam do contato com o mundo externo, da sua privacidade e da liberdade do uso de seus dados. Todos as suas ações, daquele momento em diante, são propriedade de uma empresa e está disponível para todas os interessados.


O nome desse programa é baseado no romance Nineteen Eighty-Four-1984, escrito por George Orwell em 1949. Nessa obra, o autor conta a história de um homem chamado Winston que começa a questionar sua rotina, seu trabalho e a sociedade que ele vive, que está sendo governada pelo "Big Brother". Esse governo é referenciado como infalível e todo-poderoso, um panoptico infitrado em cada casa, 24 horas por dia.

Fonte: vectors.pro/big-brother-is-watching-you-poster-vector-art/

Quatorze anos antes do Reality Show ser criado, o termo foi usado em 1985 por David Chaum, em seu artigo " Security without Identification: Card Computers to make Big Brother Obsolete" para se referir ao fenômeno da informatização da vida das pessoas. Nessa época, as discussões sobre quanto acesso às empresas e os governos tinham sobre as informações dos indivíduos, eram pouco discutidas e estavam começando a ser encaminhadas por um grupo chamado de "cypherpunks".

Atualmente, sabemos que a vigilância em massa é real. Documentos do Wikileaks, casos como o de Edward Joseph Snowden e outras inúmeras notícias tornam públicos alguns detalhes sobre sistemas de vigilância global, roubos de informações, venda de dados e muito mais.

Apesar do conhecimento sobre a falta de privacidade, segurança e liberdade na internet e das drásticas consequências pessoais e geopolíticas desse cenário, existem poucas discussões sobre o que se pode fazer diante desse cenário. E é exatamente aqui que os cypherpunks entram e que a coisa começa a ficar interessante.


A beleza da solução cypherpunk

O movimento cypherpunk ou criptoanarquista prega uma ação direta frente destruição da liberdade e da privacidade na internet, com a vigilância em massa. Os cypherpunks buscaram desenvolver uma séria de tecnologias que pudessem garantir matematicamente que a privacidade de uma comunicação ou de transação digital estaria assegurada.

Com a implementação dessas tecnologias distribuídas, criptografadas e abertas, os indivíduos podem ter certeza que controlam suas pŕoprias informações. Você pode ter certeza que sua pesquisa virtual sobre aborto ou seu registro médico real de um aborto só serão expostos se você permitir.

A criptografia se torna nesse momento, o principal instrumento de luta pela privacidade dos indivíduos. Para não deixar de citar o Manifesto Cypherpunk: "Não podemos esperar que governos, corporações ou outras grandes organizações sem rosto nos concedam privacidade [...] Devemos defender nossa própria privacidade, se esperamos ter alguma.... Sabemos que alguém tem que escrever software para defender a privacidade, e vamos escrevê-lo. " (HUGHES, Eric, 1993)

E de fato eles escreveram. Os cypherpunks desenvolveram e continuam a aperfeiçoar toda infraestrutura necessária para garantirmos nossa privacidade e liberdade na rede. A crescente adoção das criptomoedas, do Tor, do BitTorrent, do GNU, e-mail anônimos, smart contracts e de aplicações que podem ser baixadas na play store, mostra que a preocupação não é apenas deles.

Essa série será uma singela forma de incentivar e compartilham alguns estudos sobre o tema. É uma ferramenta de auto emancipação e afronta à fragilidade da minha própria privacidade.

Para finalizar, gostaria de agradecer ao @Criptologia pela conversa inspiradora sobre os cypherpunks, que me ajudou a começar esse projeto, que a tempos gostaria de ter começado.